terça-feira, 31 de agosto de 2010

Arrebimba!

Como atrelado do post anterior, numa noite de promoção ao disco “Parainfernália”, dos Diabo a Sete, apareceu-me um novo nome, que naturalmente nos remete para a percussão desvairada: Rebimbomalho. Diz o colectivo, que “rebimbo’malho” é, para os Beirões do interior, uma outra forma de dizer “dá-lhe com força”, e é mesmo esta a melhor forma de definir a batida desta gente. De bombo em bombo, Coimbra ganhou outra pulsação. Uma intempérie sonora.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Templários também dançam

O Festival Bons Sons de Cem Soldos, a terriola ao lado de Tomar tão influenciada pelo esoterismo Templário, como bem se pode ver na sua curiosa manifestação da Festa das Cruzes, recebe aquele que é provavelmente o melhor festival folk em Portugal no presente ano. Ele há B Fachada, Diabo a Sete (já lá vamos), Norberto Lobo (génio da viola), Lula Pena, Dazkarieh (agora com novo guitarrista), Adufeiras de Monsanto, Danças Ocultas e outros mais.

São três dias em cheio, e a música é apenas uma das ofertas que há para dar. De resto, ir às redondezas de Tomar deveria ser ritual de base anual.

Fique-se com os Diabo a Sete, que até estiveram presentes no Inter-Céltico de Sendim este ano e com o disco "Parainfernália" já lançado. Esta é a "Dança dos Camafeus", canção original da banda, tendo possívelmente nascido da cabeça de Pedro Damasceno, um dos seus elementos. Atenção à Sanfona que parece ter acordado de um longo coma no que diz respeito ao cancioneiro nacional. E que não sejam apenas os camafeus a bailar.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Tradição XXI

São audiovisuais. Os Omiri dividem-se em imagem (VJ Tiago Pereira) e música (Vasco Ribeiro Casais, um dos fundadores dos Dazkarieh). Estranhe-se primeiro esta mistura que distorce, pelo som e pela imagem, a conotação que normalmente damos ao termo tradicional. Mas não há melhor forma de mostrar como a tradição também se transforma, e neste caso numa inspirada contemporaneidade.

"A la muse" é, em tudo, arty: um bouzouki agudo e psicadélico a dar baile à cidade e ao campo.

OMIRI LIVE - A la Muse from Tiago Pereira on Vimeo.

domingo, 18 de julho de 2010

As fugas da Serra da Lapa

Mas que bela surpresa esta (sobretudo para mim, que nem gosto do Tim e olho de soslaio para este tipo de Super Bandas portuguesas como é o caso dos Rio Grande e destes Companheiros de Aventura).
Ter a grande canção "Adeus ó Serra da Lapa", de Zeca Afonso, tão bem cantada desta forma, e nada dever ao original que é completamente despido de artimanhas, é obra.

A versão prima pertence ao enorme disco "Venham mais cinco", e canta a viagem de um aspirante a viajante que se quer pôr a milhas da Serra que lhe deu berço.

Adeus ó serra da Lapa
Adeus que te vou deixar
O minha terra ó minha enxada
Nao faço gosto em voltar
Companheiros de aventura
Vinde comigo viajar
A noite é negra a vida é dura
Nao faço gosto em voltar
Dou-te o meu lenço bordado
Quando de ti me apartar
Eu quero ir ao outro lado
Nao faço gosto em voltar
O meu dinheiro contado
É para quem me levar
O meu caminho está traçado
Nao faço gosto em voltar
Moirar a terra insegura?
Fugir da serra e do mar?
Meus companheiros de aventura
Tudo farei para salvar


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Molièsturadas

Não se percebe muito bem de onde vem tudo isto. Um violino meio Balcânico, uma voz que é difícil perceber que referências tem, um acordeão que soa português mas que não é bem. Um western luso, talvez, com meia volta ali para os lados do Leste.

São os Andersen Molière e, aparentemente, são de cá. Mas podiam ser de outro lado, mesmo tendo tanto de Portugal.

Tão confuso quanto bom.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Máscaras Ibéricas no Rossio

O Rossio vai, mais uma vez, contar com o Desfile de Máscaras Ibéricas. Além da óbvia divulgação que este festival merece, é de lembrar que os Roncos do Diabo, entre outros, irão atravessar o rio Tejo para lá tocar no Domingo à tarde.

Se quiserem ouvir aquela que é, provavelmente, a melhor banda portuguesa, talvez a par com os Galandum Galundaina, então façam favor. Se não gostarem, responsabilizo-me.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Fado é Português, diz José Alberto Sardinha


Comprei ontem o livro de José Alberto Sardinha, "A origem do Fado". Interessante e seminal estudo, que confesso ainda não ter tido tempo para o ler na totalidade (são mais de 500 páginas), mas que fundamenta detalhadamente o portuguesismo genuíno do Fado.

O livro, que foi apresentado ontem pelo próprio autor, rema ao contrário de muitas correntes que defendem o Fado como um produto do além-mar como já tenho lido e ouvido por muita boa gente: ou dos escravos negros que cá desembarcaram (transformando o Fado numa espécie de blues à portuguesa), ou na génese Brasileira (sobretudo no lundum), ou como resquícios árabes do bairro da Mouraria (que é oficialmente considerada o berço do Fado).

Diz então José Alberto Sardinha, já veterano nisto do estudo da música tradicional portuguesa e dono de uma vasta colecção de recolhas por todo o país, que o Fado vem da passagem do romanceiro histórico para o romanceiro novalesco estando assim bem dentro da nossa tradição oral. Mais, o Fado não cresceu de Lisboa para o resto do país. Os seus primórdios são transversais ao que é hoje o território português.

Um novo, arrojado e inovador olhar de alguém que, podemos dizer, conhece a canção nacional como se de família se tratasse.

Será, com toda a certeza, uma das minhas companhias de Verão.